O futuro das cidades será vertical ou horizontal?

Diego Velázquez Por Diego Velázquez
Guilherme Silva Ribeiro Campos

Guilherme Campos, desenvolvedor imobiliário com trajetória consolidada no Norte do Brasil, acompanha de perto um debate que está no centro das decisões de planejamento urbano de cidades em crescimento acelerado: crescer para cima ou crescer para os lados? A escolha entre o modelo vertical, com edifícios que adensam a população em áreas menores, e o modelo horizontal, com loteamentos e condomínios que se expandem sobre o território, não é apenas uma questão estética ou arquitetônica. É uma decisão que define o tipo de cidade que vai existir daqui a vinte anos e a qualidade de vida que ela vai oferecer a quem a habitar.

Continue lendo e entenda o que está em jogo nessa escolha e por que ela importa para quem mora, investe e planeja nas cidades brasileiras.

O que o modelo vertical oferece e o que ele cobra?

A verticalização urbana tem argumentos sólidos a seu favor. Isso porque concentrar mais pessoas em menos espaço reduz a pressão sobre a infraestrutura de transportes, diminui o consumo de terra urbana, facilita o acesso a serviços e comércio e permite que áreas verdes e espaços públicos sejam preservados fora do perímetro construído. Em cidades onde a terra é escassa e cara, o modelo vertical é frequentemente a única alternativa economicamente viável para acomodar o crescimento populacional.

Conforme expressa Guilherme Campos, o problema surge quando a verticalização acontece sem o planejamento de infraestrutura que ela exige. De fato, edifícios altos em bairros sem capacidade de saneamento, transporte e serviços adequados para a nova densidade criam problemas que custam décadas e recursos enormes para corrigir. A verticalização bem-sucedida não é apenas uma decisão arquitetônica: é o resultado de um planejamento urbano que antecipa as demandas de infraestrutura antes que os edifícios sejam construídos.

O morador de um edifício vertical bem localizado, em um bairro com infraestrutura compatível, tende a ter acesso a uma qualidade de vida urbana superior à do morador de uma casa horizontal em uma área periférica mal servida de serviços. A localização e a infraestrutura do entorno importam mais do que o tipo de edificação.

O que o modelo horizontal oferece e o que ele cobra?

O modelo horizontal, representado por loteamentos abertos e condomínios fechados, responde a um desejo genuíno de uma parcela significativa da população: mais espaço privado, mais contato com o ambiente natural e mais controle sobre o próprio entorno imediato. Esse desejo é legítimo e tem raízes profundas na forma como os brasileiros concebem a moradia ideal.

Guilherme Campos evidencia que o modelo horizontal bem executado, com infraestrutura completa, localização estratégica e integração com a malha urbana existente, oferece uma qualidade de vida que o modelo vertical raramente consegue replicar para famílias com filhos ou para moradores que valorizam o espaço externo privativo.

O problema do modelo horizontal surge quando ele se expande de forma desordenada, criando periferias distantes do centro sem infraestrutura adequada, que obrigam os moradores a deslocamentos longos e custosos para acessar serviços básicos. Além disso, a expansão horizontal mal planejada é uma das principais responsáveis pelo custo crescente das metrópoles brasileiras, que precisam estender redes de infraestrutura por territórios cada vez maiores para atender populações cada vez mais dispersas.

Guilherme Silva Ribeiro Campos
Guilherme Silva Ribeiro Campos

Por que a resposta não é vertical nem horizontal, mas contextual?

A dicotomia entre vertical e horizontal é, em grande parte, uma simplificação de um problema muito mais complexo. Isso porque as cidades mais bem-sucedidas do mundo não escolheram um modelo em detrimento do outro: desenvolveram uma combinação inteligente dos dois, aplicando cada um onde faz mais sentido de acordo com as características do território, a disponibilidade de infraestrutura e as preferências dos moradores.

Na avaliação de Guilherme Campos, cidades do Norte do Brasil, como Boa Vista, têm a oportunidade de fazer essa combinação de forma planejada, definindo zonas de adensamento vertical onde a infraestrutura já existe ou está sendo implantada e zonas de expansão horizontal onde o território permite esse modelo sem os custos de extensão de infraestrutura que inviabilizam a expansão desordenada.

Essa escolha contextual exige planejamento técnico, vontade política e participação dos agentes do mercado imobiliário no processo de definição dos vetores de crescimento da cidade, o que torna a colaboração entre poder público e setor privado uma condição indispensável para que o resultado seja bem-sucedido.

O que esse debate revela sobre o futuro das cidades brasileiras?

O debate entre vertical e horizontal é, em última análise, um debate sobre que tipo de cidade os brasileiros querem habitar e que tipo de cidade o Brasil pode se dar ao luxo de construir. Cidades compactas e bem servidas de infraestrutura tendem a ser mais eficientes, mais sustentáveis e mais equitativas do que cidades espraiadas que consomem território sem oferecer qualidade de vida proporcional.

Conforme reforça Guilherme Campos, as cidades do Norte do Brasil têm diante de si uma janela de planejamento que as metrópoles já fecharam há décadas. Usar essa janela de forma inteligente, combinando verticalização onde ela faz sentido com expansão horizontal onde ela é viável, é a decisão que vai definir se essas cidades vão crescer com qualidade ou apenas crescer.

O futuro das cidades não será vertical nem horizontal. Será inteligente ou não será sustentável.

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