Como a herança pode ser planejada para garantir a proteção patrimonial da família?

Diego Velázquez Por Diego Velázquez
Tiago Schietti

A partir de sua experiência como empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti explica que as famílias enfrentam a perda totalmente despreparadas, tanto emocional quanto pragmaticamente e em relação aos bens. A falta de um planejamento sucessório bem definido faz com que o luto se torne um emaranhado de decisões apressadas que poderiam ter sido discutidas com calma e clareza.

O planejamento sucessório é um tema que muitas famílias, especialmente aquelas que conduzem empreendimentos próprios, adiam sistematicamente. A desculpa mais comum é o desconforto em falar sobre a morte: ninguém quer ser quem levanta essa pauta no almoço de domingo. Mas adiar essa conversa tem consequências concretas sobre o futuro do patrimônio familiar, sobre a continuidade dos negócios e sobre a experiência de quem fica.

O que poucos percebem é que o setor funerário já está no centro dessa discussão, não como especialista em direito ou finanças, mas como o campo que recebe as famílias quando as decisões não foram tomadas. Continue lendo para entender como o planejamento sucessório se conecta ao acolhimento funerário e por que antecipar essas escolhas é também um gesto de amor.

Por que o planejamento sucessório ainda é tabu entre as famílias brasileiras?

Falar sobre herança e sobre o destino do patrimônio familiar é, para muitas famílias brasileiras, desconfortável por razões que vão além do medo da morte. Segundo Tiago Oliva Schietti, há uma crença cultural arraigada de que planejar a própria sucessão é, de alguma forma, uma antecipação negativa, como se organizar para o inevitável fosse atrair o que se quer evitar. Esse tabu faz com que as conversas sejam postergadas indefinidamente, até que a urgência da crise tome o lugar do planejamento.

Em famílias que têm empreendimentos, a situação é ainda mais delicada, pois, quando o fundador ou principal gestor falece sem deixar estruturado o plano de sucessão, a empresa enfrenta um vácuo de liderança justamente no momento em que sócios, herdeiros e colaboradores estão emocionalmente abalados. O patrimônio construído ao longo de décadas pode ser fragilizado não pela falta de valor, mas pela falta de organização e de documentos que orientem as próximas etapas.

Tiago Schietti
Tiago Schietti

Proteção patrimonial e herança: o que está em jogo quando a família não planeja

A ausência de planejamento sucessório tem efeitos que se revelam nos piores momentos. Quando não há um testamento claro, quando a estrutura da herança não foi organizada ou quando os bens ainda estão concentrados em nome de uma única pessoa, o inventário pode se tornar um percurso longo, desgastante e emocionalmente doloroso para todos os envolvidos. Para o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, esse desgaste é, em muitos casos, evitável com ações simples tomadas com antecedência.

A proteção patrimonial, entendida como o conjunto de estratégias que organiza e preserva o patrimônio familiar ao longo do tempo, não é exclusividade de grandes fortunas. Famílias com imóveis, com negócios de pequeno e médio porte ou com bens construídos ao longo de uma vida de trabalho têm tanto a perder com a falta de planejamento quanto aquelas com patrimônios maiores. 

Como o setor funerário se relaciona com o planejamento sucessório das famílias?

A relação entre o setor funerário e o planejamento sucessório pode não ser imediata para quem está de fora, mas ela é muito concreta na prática. Nesse sentido, conforme aponta Tiago Oliva Schietti, os profissionais que trabalham em cemitérios e funerárias são, com frequência, os primeiros a perceber quando uma família chegou despreparada para enfrentar a perda. 

Essa experiência cotidiana gerou no setor uma sensibilidade particular sobre a importância do planejamento. Não por acaso, cresceu nos últimos anos a oferta de serviços de pré-necessidade: contratos firmados com antecedência que definem os serviços funerários desejados, o local de sepultamento e as preferências do contratante, retirando essa carga das costas da família no momento da perda. 

Conversar sobre o futuro é cuidar de quem você ama

Planejar a própria sucessão e os serviços de fim de vida não é um exercício de pessimismo. É um ato de responsabilidade afetiva com as pessoas que se ama. Quando uma família se senta para discutir herança, proteção patrimonial e preferências funerárias, ela está, na prática, aliviando o peso que cairia sobre os ombros de quem ficasse sem esse mapa orientador.

Em síntese, como conclui Tiago Oliva Schietti, para as famílias empresárias, essa conversa tem uma dimensão adicional: a continuidade do negócio, a definição de quem assumirá a gestão, a clareza sobre a distribuição de responsabilidades entre os herdeiros e o cuidado com os colaboradores que dependem da empresa. Estruturar tudo isso com antecedência é a diferença entre um legado preservado e uma herança que gera conflito onde deveria gerar união.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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