Humanização no sertão: Como um projeto social transforma a saúde de idosos?

Diego Velázquez By Diego Velázquez
Yuri Silva Portela

Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, acredita que o acesso à saúde especializada precisa mudar e tem trabalhado ativamente para transformar essa realidade há mais de três anos. A saúde é um direito universal, mas sua efetivação ainda enfrenta barreiras profundas em muitas regiões do Brasil. No sertão nordestino, onde as distâncias são grandes e os recursos são escassos, o acesso a cuidados especializados continua sendo um privilégio para poucos.

Neste artigo, você vai conhecer como o Humaniza Sertão atua, quais são seus princípios norteadores e de que forma a combinação entre medicina geriátrica e humanização pode gerar transformações profundas em comunidades vulneráveis. Acompanhe essa história e inspire-se!

Humanização como princípio e não apenas como prática

A humanização, quando compreendida apenas como uma técnica de atendimento, perde parte de seu potencial transformador. Em sua dimensão mais profunda, ela é um princípio ético que orienta toda a relação entre profissional de saúde e paciente, colocando a dignidade humana no centro de cada decisão e de cada interação. Quando esse princípio guia um projeto social, seus efeitos se multiplicam de formas que vão muito além do atendimento clínico.

Segundo o doutor Yuri Silva Portela, humanizar é, antes de tudo, reconhecer o outro como igual em dignidade. No contexto do projeto, isso significa atender o idoso do interior com o mesmo cuidado e a mesma atenção que qualquer paciente de um grande centro urbano receberia. Essa postura derruba barreiras simbólicas que afetam a percepção de muitas comunidades sobre seu próprio valor e direito à saúde.

Quixadá e o sertão cearense como cenário de transformação

Quixadá é uma cidade do interior do Ceará que concentra boa parte das características do sertão nordestino: clima semiárido, economia predominantemente ligada ao campo e uma população que ainda enfrenta dificuldades significativas de acesso a serviços públicos de qualidade. É nesse cenário que o Humaniza Sertão surgiu e tem crescido, demonstrando que é possível fazer muito com comprometimento e visão de impacto.

O Dr. Yuri Silva Portela frisa que a escolha de Quixadá como base do projeto não foi aleatória. De acordo com o fundador do projeto social, a cidade e a região ao seu redor concentram uma população idosa significativa com pouco ou nenhum acesso a cuidados geriátricos. Atender a essa demanda represada é uma forma de fazer justiça social e de contribuir para que o sistema de saúde alcance quem mais precisa dele.

Nos três anos de atuação do projeto na região, a presença do Humaniza Sertão já pode ser sentida na mudança de comportamento das comunidades em relação ao cuidado com a saúde. O impacto vai além dos números: mais pessoas buscam acompanhamento preventivo, mais famílias compreendem a importância de cuidar dos idosos e mais profissionais de saúde da região se sensibilizam com a causa. 

O Humaniza Sertão está estruturado em torno de alguns pilares fundamentais que orientam sua atuação. O primeiro é o atendimento médico qualificado, com foco em geriatria e medicina preventiva, garantindo que os idosos recebam diagnósticos precisos e tratamentos adequados às suas condições. O segundo pilar é a educação em saúde, que capacita as comunidades para cuidar melhor de seus idosos no dia a dia.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

O terceiro pilar é o acolhimento, que garante que cada pessoa atendida se sinta respeitada, ouvida e valorizada. No projeto, o tempo de escuta é tão importante quanto o tempo de exame. Muitos pacientes chegam com histórias de negligência e descaso por parte do sistema de saúde, e o Humaniza Sertão se empenha em oferecer uma experiência completamente diferente. Como destaca Yuri Silva Portela, o cuidado começa muito antes da prescrição.

O quarto e último pilar é a articulação com a rede de saúde local. O projeto não age de forma isolada, mas busca fortalecer e complementar os serviços já existentes na região. Essa articulação é fundamental para garantir a continuidade do cuidado e para ampliar o alcance das ações, tornando o impacto do Humaniza Sertão mais duradouro e sustentável.

O que o Humaniza Sertão ensina sobre cuidar de pessoas?

A experiência acumulada pelo Humaniza Sertão ao longo de três anos oferece lições valiosas sobre o que significa cuidar de verdade. A primeira lição é que a escuta precede qualquer outro gesto de cuidado. Antes de oferecer soluções, é preciso compreender profundamente a realidade de quem se quer ajudar. Essa compreensão é o que transforma uma intervenção genérica em um cuidado genuíno.

A segunda lição é que o cuidado eficaz é sempre coletivo. Nenhum profissional, por mais talentoso que seja, consegue transformar realidades sozinho. O Humaniza Sertão funciona porque envolve equipes multidisciplinares, parceiros comunitários e as próprias famílias dos pacientes atendidos. Essa rede de cuidado é o que sustenta o projeto e garante sua perenidade.

A terceira lição, talvez a mais poderosa, é que todo ser humano merece atenção, respeito e cuidado, independentemente de onde vive ou de suas condições socioeconômicas. Essa convicção, defendida e praticada pelo doutor Yuri Silva Portela, é o coração do Humaniza Sertão e a razão pela qual o projeto continua crescendo e transformando vidas.

Humanização que vai além das fronteiras do consultório

O Humaniza Sertão representa um modelo de medicina que une conhecimento técnico, responsabilidade social e profundo respeito pela vida humana. Em três anos, o projeto demonstrou que a humanização não é um luxo restrito aos grandes centros, mas uma necessidade que pode e deve ser levada a todos os lugares onde há pessoas que precisam de cuidado.

A dedicação do doutor Yuri Silva Portela ao atendimento geriátrico humanizado e ao desenvolvimento de ações sociais na região de Quixadá é um exemplo inspirador para toda a comunidade médica. Praticar medicina com propósito é um dos caminhos mais poderosos para transformar realidades e salvar vidas.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

Share This Article