O mercado brasileiro de vinhos importados pode passar por mudanças relevantes nos próximos anos, com impacto direto sobre rótulos franceses.
Especialistas ouvidos pela colunista de vinhos do jornal Estadão, Suzana Barelli, apontam que 2026 deve ser marcado pela expectativa em torno do acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, que, caso avance, reduzirá de forma gradual as taxas de importação de vinhos europeus ao longo da próxima década.
Como funciona a tributação hoje
Atualmente, os vinhos importados são taxados em 27% no Brasil, um percentual que encarece significativamente rótulos vindos de regiões tradicionais como Bordeaux, Borgonha e Champagne. A eventual implementação do acordo entre os dois blocos deve ampliar de maneira expressiva a presença de rótulos europeus no mercado brasileiro, beneficiando diretamente o consumidor final. Hoje, a maior fatia de vinhos importados consumidos no país vem do Chile, da Argentina e de Portugal, cenário que pode se reconfigurar caso a redução tarifária avance conforme o previsto.
Entre as tendências apontadas para 2026 está a continuidade da procura por vinhos brancos de alto valor agregado, movimento já observado em 2025 e que deve se manter, com destaque para os rótulos de Chablis. A região, uma sub-área icônica da Borgonha, produz brancos de uva chardonnay reconhecidos pela acidez marcante e por notas cítricas, florais e minerais, características que têm conquistado consumidores brasileiros mais atentos a harmonizações com pratos leves, frutos do mar e queijos frescos.
Michelin passa a avaliar vinícolas
Outra novidade do setor é o anúncio do Guia Michelin de que, a partir de 2026, a instituição passará também a destacar vinícolas e vinhedos de diferentes regiões do mundo, avaliando sua excelência com base em critérios como qualidade da agronomia, domínio técnico, identidade e equilíbrio do vinho produzido. A medida amplia o alcance de um guia historicamente concentrado em restaurantes e hotéis, e deve reforçar ainda mais o protagonismo de regiões vinícolas francesas, já consolidadas entre as mais valorizadas do mundo.
Para o consumidor brasileiro interessado em gastronomia francesa, o cenário combinado (possível redução de impostos, valorização de brancos como o Chablis e a chegada da Michelin ao universo vinícola) sinaliza um mercado em transformação, no qual acompanhar harmonizações e novidades de rótulos franceses pode se tornar ainda mais relevante nos próximos anos.
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