Um dos movimentos mais interessantes da gastronomia francesa em 2026 tem nome de técnica: o gratinado.
Popularizado internacionalmente pelo chef Daniel Boulud, natural de Lyon e um dos nomes mais respeitados da cozinha francesa nos Estados Unidos, o gratin voltou a ocupar espaço de destaque em cardápios ao redor do mundo, reconectando o público com a cozinha simples e afetiva dos bouchons lyoneses, os bistrôs tradicionais da região.
O que é a técnica do gratinado
Segundo reportagem publicada pela CNN Brasil sobre os pratos clássicos franceses, a técnica do gratinado consiste em preparar um alimento em um recipiente raso que vai ao forno até formar uma crosta dourada na superfície, geralmente de queijo, pão ralado ou outro ingrediente que derrete e tosta com o calor. É essa camada crocante, contrastando com o interior cremoso ou macio do prato, que define o efeito “au gratin”, característico de receitas como o gratin dauphinois, feito com batatas e creme de leite, e a clássica sopa de cebola francesa, finalizada com queijo gruyère derretido sobre uma fatia de pão.
Em Nova York, Boulud dedicou um restaurante inteiro a essa técnica, batizado justamente de Le Gratin, instalado no Distrito Financeiro da cidade. Segundo reportagem da Forbes publicada em março de 2026, o espaço é uma homenagem direta à infância do chef em Lyon, especialmente às lembranças do gratin dauphinois preparado por sua mãe na fazenda da família. O cardápio do restaurante segue a linha dos bouchons lyoneses, termo usado na região para descrever bistrôs simples, aconchegantes e voltados a uma cozinha caseira reforçada, com pratos fartos e receitas passadas entre gerações.
Por que a tendência ganha força agora
Esse movimento de valorização de pratos gratinados e da cozinha de bouchon reflete um interesse maior do público por preparos que remetam ao conforto e à tradição, em contraponto a tendências mais minimalistas ou desconstruídas que dominaram a alta gastronomia em anos anteriores. O gratinado, por unir simplicidade técnica a um resultado visual e sensorial marcante, tem se mostrado um caminho natural para restaurantes que desejam reforçar sua conexão com a culinária clássica francesa sem abrir mão de sofisticação.
No Brasil, esse interesse também aparece refletido em receitas amplamente buscadas, como a sopa de cebola francesa, que utiliza exatamente a técnica do gratinado para atingir sua textura característica. A expectativa é que, seguindo o exemplo de casas como o Le Gratin, mais restaurantes brasileiros de inspiração francesa passem a destacar pratos gratinados em seus cardápios ao longo de 2026, reforçando um movimento que valoriza o repertório mais tradicional da gastronomia da França.
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