A etapa do planejamento agrícola que pode fazer diferença no controle da cigarrinha-do-milho

Sergei Valenko Por Sergei Valenko
Wander Aguilera Almeida

A cigarrinha-do-milho deixou de ser um problema localizado e passou a influenciar decisões em várias regiões produtoras, de acordo com Wander Aguilera Almeida, empresário que atua na intermediação de compra e venda de grãos. O risco associado à praga começa a pesar nas expectativas sobre a oferta do cereal. Em algumas safras recentes, perdas atribuídas ao inseto afetaram de forma relevante a produtividade em áreas de milho.

O pequeno inseto, denominado cientificamente como Dalbulus maidis, é transmissor de doenças conhecidas como enfezamentos, causadas por microrganismos que comprometem o desenvolvimento da planta. Lavouras afetadas apresentam espigas menores, grãos mal formados e, em casos graves, perdas significativas de produção.

Com a semeadura da soja 2026/27 em andamento e a segunda safra de milho se aproximando, o manejo da praga volta a ser tema central. Ao longo deste artigo, entenda por que a cigarrinha ganhou importância, quais estratégias ajudam a conter o problema e como ela pode afetar o mercado de milho.

Por que a praga se tornou um problema maior?

A disseminação do milho no Brasil, com cultivos realizados em diferentes épocas do ano e em regiões vizinhas, resultou em condições favoráveis para a cigarrinha encontrar plantas-hospedeiras ao longo de quase todo o ano. Esse fenômeno, denominado ponte verde, permite que a população do inseto e os patógenos que ele transmite sobrevivam entre uma safra e outra.

O milho tiguera, que nasce de grãos perdidos durante a colheita, contribui para a deterioração do quadro já existente. Essas plantas atuam como fontes de infestação para as lavouras seguintes, uma vez que mantêm o inseto e os microrganismos na área mesmo fora do período de cultivo. Por esse motivo, Wander Aguilera Almeida esclarece que o problema de uma propriedade pode rapidamente se tornar um problema regional, com reflexos sobre a produção de toda uma praça.

O clima também influencia. Temperaturas elevadas favorecem a reprodução do inseto, e temporadas quentes, como a prevista para a primavera e o verão de 2026, podem aumentar a pressão da praga. Ao analisar esse cenário, Wander Aguilera Almeida destaca que os fatores sanitários passaram a ser acompanhados pelo mercado, juntamente com o clima e a área plantada.

Quais estratégias de manejo ganham espaço?

Especialistas recomendam uma combinação de medidas, já que nenhuma prática isolada tem se mostrado suficiente para controlar a cigarrinha e os enfezamentos:

  • Eliminação do milho tiguera: controlar as plantas voluntárias entre as safras reduz a ponte verde e diminui a população inicial do inseto e dos patógenos na região.
  • Escolha de híbridos tolerantes: materiais com maior tolerância aos enfezamentos ajudam a reduzir perdas, embora não eliminem o problema em situações de alta pressão.
  • Tratamento de sementes e monitoramento: a proteção nas fases iniciais da lavoura, período mais sensível à transmissão das doenças, é combinada ao monitoramento frequente para orientar aplicações.
  • Manejo regional coordenado: como o inseto se desloca entre propriedades, ações conjuntas entre produtores vizinhos, incluindo calendários de semeadura mais concentrados, tendem a ser mais eficazes do que medidas isoladas.
Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

O controle biológico tem sido implementado, com o uso de agentes biológicos, tais como fungos entomopatogênicos que se desenvolvem e reproduzem dentro do inseto. Wander Aguilera Almeida, que acompanha as safras de grãos e a evolução das cotações, indica que o custo adicional do manejo deve ser considerado no planejamento financeiro da segunda safra, especialmente em um ciclo de margens reduzidas.

Os reflexos no mercado de milho

Em situações de alta pressão da praga, a produtividade do milho pode ser inferior ao esperado, resultando em uma redução da oferta em regiões críticas. Esse efeito tende a ser incorporado às projeções de safra e, consequentemente, às expectativas de preço do cereal.

O risco sanitário também influencia a decisão de plantio. Em regiões com histórico de enfezamentos, alguns produtores vêm avaliando alternativas para a segunda safra, incluindo o sorgo, o que altera a composição da oferta regional de grãos. De acordo com Wander Aguilera Almeida, essa mudança no mix de culturas pode afetar a disponibilidade de milho para usinas de etanol, indústrias de ração e exportação.

Para as vendas antecipadas, a praga adiciona mais um elemento de incerteza. O compromisso de grandes volumes de milho antes da avaliação da pressão do inseto na região pode expor o produtor a dificuldades de entrega em caso de perdas significativas.

Sanidade como fator de mercado

Em última análise, a cigarrinha-do-milho ilustra como questões sanitárias podem adquirir proporções econômicas e impactar a oferta de um dos principais grãos do país. Para um manejo eficiente, é preciso coordenar produtores da mesma região, além de eliminar plantas voluntárias. Wander Aguilera Almeida, empresário do agronegócio, examina que a atenção à sanidade das lavouras será mais importante nos próximos ciclos.

O planejamento da segunda safra 2026/27 envolve a seleção de híbridos, o calendário de semeadura e a avaliação precisa do risco sanitário em cada área.

Em um mercado atento a quaisquer mudanças na oferta, a pressão de uma praga pode ter um impacto tão significativo quanto a previsão de chuva. Conhecer esse risco antes de plantar e de vender é parte integrante da estratégia adotada pelos produtores de milho no Brasil.

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