O uso prolongado de celulares, computadores, tablets e televisores modificou a forma como muitas pessoas ocupam o tempo livre e realizam atividades cotidianas. O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, retrata que essa mudança merece atenção quando o tempo diante das telas passa a substituir movimento, convivência e atividades fora do ambiente digital. O chamado sedentarismo digital não está relacionado apenas à tecnologia, mas ao comportamento de permanecer por longos períodos sentado ou com baixo gasto de energia enquanto se utiliza algum dispositivo.
Continue a leitura para mais!
Como o sedentarismo digital interfere na rotina? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
O problema começa quando atividades que antes exigiam algum deslocamento passam a ser realizadas sem movimentação. Conversas, entretenimento, compras, pagamentos e até algumas formas de trabalho podem ser resolvidos diante de uma tela. A praticidade é evidente, mas o efeito acumulado pode reduzir a quantidade de movimento ao longo do dia. Com menos deslocamentos incorporados à rotina, períodos prolongados sentado podem se tornar cada vez mais frequentes.
Para pessoas mais velhas, essa redução merece atenção porque a manutenção da capacidade física depende do uso regular do corpo. Caminhar, levantar-se, subir alguns degraus e realizar tarefas domésticas são ações que também estimulam força, equilíbrio e coordenação. Quando essas oportunidades diminuem, a rotina pode se tornar progressivamente menos ativa. A redução desses estímulos cotidianos também pode dificultar a preservação de habilidades necessárias para realizar atividades com independência.
O sedentarismo também não significa necessariamente que a pessoa nunca pratique exercícios, comenta o Doutor Yuri Silva Portela. É possível fazer uma caminhada durante parte do dia e, ainda assim, permanecer muitas horas sentado diante de telas. Por isso, atividade física e comportamento sedentário são aspectos relacionados, mas não representam exatamente a mesma coisa. Observar quanto tempo é passado em movimento e quanto tempo é dedicado a atividades sentadas ajuda a compreender melhor o equilíbrio da rotina.
Por que ficar sentado por muito tempo preocupa no envelhecimento?
A permanência prolongada em comportamento sedentário está associada a diferentes impactos sobre a saúde, especialmente quando existe pouca atividade física ao longo do dia. Entre os possíveis efeitos estão maior risco cardiovascular, alterações metabólicas e perda de condicionamento físico. A redução do movimento também pode dificultar a preservação da capacidade funcional. Com o passar do tempo, essas mudanças podem tornar algumas atividades cotidianas mais cansativas e exigir maior esforço para serem realizadas.

No envelhecimento, manter essa capacidade é especialmente importante porque ela interfere na autonomia. A força necessária para levantar de uma cadeira, carregar objetos, caminhar com segurança ou realizar tarefas domésticas não aparece apenas em momentos destinados ao exercício. Ela é construída e preservada também pela movimentação cotidiana. Por isso, pequenas ações realizadas regularmente podem ter importância para manter o corpo preparado para as exigências da vida diária.
O Doutor Yuri Silva Portela observa essa questão a partir de uma perspectiva geriátrica, que considera a funcionalidade como parte importante do envelhecimento. Nesse contexto, combater o sedentarismo digital não significa eliminar a tecnologia, mas impedir que sua conveniência reduza excessivamente as oportunidades de movimento. A proposta é encontrar um equilíbrio entre os recursos digitais e uma rotina que preserve deslocamentos, atividades físicas e participação nas tarefas do cotidiano.
O problema está no tempo de tela ou na falta de movimento?
A tecnologia pode participar de uma rotina saudável. Uma videochamada pode aproximar familiares, aplicativos podem auxiliar na organização de atividades e conteúdos digitais podem estimular aprendizado. O ponto de atenção está no que acontece quando o tempo de tela ocupa períodos que poderiam incluir movimento, convivência presencial ou atividades ao ar livre. O equilíbrio depende de evitar que a conveniência dos dispositivos substitua atividades importantes para a manutenção de uma rotina ativa.
No fim, como resume o Doutor Yuri Silva Portela, essa diferença é importante porque nem todo uso de dispositivo representa o mesmo comportamento. Uma pessoa pode utilizar o celular durante uma caminhada para acompanhar determinada informação, enquanto outra permanece várias horas sentada assistindo a conteúdos. O dispositivo é o mesmo, mas o impacto sobre a rotina é diferente. Assim, avaliar o contexto e o tempo dedicado a cada atividade permite identificar quando a tecnologia está sendo utilizada como recurso e quando começa a limitar outras formas de participação no cotidiano.

